Programados para falhar

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Não, não somos todos iguais. Diante da publicidade das piores escolhas, pessoas com o gene da obesidade deixam-se convencer com mais facilidade.

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Se eles fazem deste jeito, é porque funciona.

E funciona mesmo sem que o seu público preferencial perceba.

As crianças com um risco genético para a obesidade respondem mais fortemente à propaganda de fast food veiculada na televisão.

A afirmação é de um estudo do Dartmouth College (Estados Unidos).

Segundo exames realizados em voluntários, esta fixação pelo apetite gorduroso e calórico é registrada em uma região do cérebro associada com o processamento da recompensa.

A pesquisa nos ajuda a entender porque algumas crianças são mais suscetíveis ao apelo destes alimentos.

O estudo é o primeiro a examinar como um gene chave da obesidade, conhecido como FTO, influencia a resposta do cérebro às propagandas do alimento e a outras sugestões sobre comida.

Nele, 78 crianças, com idades entre 9 e 12 anos, assistiram a um programa de televisão infantil.

O programa incluiu 12 minutos de intervalos comerciais – metade eram propagandas para fast food e a outra metade para itens não alimentares.

Ao mesmo tempo, as imagens de seus cérebros foram registradas por um scanner de ressonância magnética.

As crianças também foram testadas em seu risco genético para a obesidade com base no gene FTO.

O núcleo accumbens, região do cérebro associada ao processo de recompensa, não estava apenas fisicamente maior em crianças com o genótipo FTO.

Mas também mostrou uma resposta mais forte aos comerciais de alimentos.

“Cerca de um terço dos comerciais que as crianças vêem na TV são propagandas de alimentos”, disse uma das autoras, Dra. Diane Gilbert-Diamond.

“E cada um é um gatilho que dispara o desejo de comer, mesmo quando elas não estão com fome”.

Os exames do cérebro sugerem que estas crianças podem ser especialmente vulneráveis a sugestões alimentares.

E que limitar a exposição à publicidade alimentar poderia ser uma forma eficaz de combater a obesidade infantil.

O estudo foi publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences.

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