O apetite em primeiro lugar

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O que realmente nos motiva? Não é o medo e nenhum outro instinto. Em estudo, se tem uma coisa pela qual cobaias colocam sua vida em risco, é comida.

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Não, o problema não está em você.

Segundo estudo, o instinto mais difícil de resistir é a fome.

A pesquisa foi conduzida pelo National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK), dos Estados Unidos.

Em testes com cobaias, os animais colocaram suas vidas em risco ou cortaram laços sociais, se isso significasse garantir alimento.

As cobaias também preferiram comida à água, em todos os cenários testados.

Estudos anteriores já haviam observado cada desejo (fome, sede e medo) isoladamente.

Esta foi a primeira pesquisa a comparar diferentes desejos, para descobrir como o cérebro desencadeia tais instintos.

Os resultados foram saudados como um passo crucial na compreensão dos distúrbios alimentares.

As cobaias foram colocadas em jejum, ou tiveram ativados os neurônios conhecidos por provocarem a fome.

Um processo similar foi feito para provocar a sede.

Para estimular o medo, foram colocadas em um ambiente com cheiro de seus predadores.

Em todas as ocasiões, tiveram monitorada a atividade dos neurônios AgRP no hipotálamo, parte do cérebro que controla hormônios essenciais.

Os animais que estavam tanto com fome quanto com sede, comeram mais que beberam, quando liberados.

Este não foi, entretanto, o resultado mais surpreendente.

Os animais famintos colocados em uma situação ameaçadora superaram o medo e se aventuraram, ao saber que havia comida na zona de perigo.

Por outro lado, os animais saciados preferiram permanecer em zonas seguras, ao invés de se aventurarem em locais arriscados.

O apetite também levou as cobaia a buscar o isolamento social.

Animais famintos preferiram passar o tempo em um ambiente com alimentos, a estar em um ambiente diferente com outro animal.

E o contrário também foi constatado.

Cobaias solitárias, mas não com fome, preferiram a companhia de outra cobaia que ficar em um ambiente cheio de alimentos.

Segundo um dos autores do estudo, Dr. Michael Krashes, “interpretamos isso como uma capacidade única dos neurônios que sinalizam a fome de antecipar os benefícios da procura de comida”.

“Com isso, alteram o comportamento em conformidade”.

A equipe do Dr. Krashes descobriu que os neurônios AgRP podem agir de uma determinada maneira para priorizar a fome sobre outros instintos.

Esta característica “gulosa” da espécie humana foi apontada como um dos motivos do sucesso de sua evolução.

Nosso sistema nervoso evoluiu para que valorizemos os alimentos, sobre quaisquer outras considerações.

Este é um dos motivos por que é tão difícil abrir mão de uma refeição calórica.

Mas, como não cedemos aos outros intintos e enfrentamos o medo e a insegurança, é preciso encarar a fome, ou o desejo por comida, de modo racional.

Ou seja, a evolução atual é uma luta contra aquela conduzida ao longo de milhares de anos.

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