Compartilhando superficialidades

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Quanto mais temos o poder da informação sob os dedos, mais nos entregamos à desinformação. Estudo revela que, das notícias que compartilhamos com entusiasmo nas redes sociais, lemos menos da metade.

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Sua timeline é cheia de links para textos argumentativos e clipes de música inovadores.

A depender destes posts, podemos intuir que se tratam da expressão

de uma pessoa muito interessante.

Mas é provável que você não saiba de nada disso.

Segundo estudo feito em parceria entre a Universidade de Colúmbia (Estados Unidos) e o French National Institute (França), seis em cada 10 pessoas (59%) sequer clicam nos links que compartilham.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram 2,8 milhões de posts no Twitter.

Segundo um dos autores, Arnaud Legout, “as pessoas se dispõem mais a compartilhar um artigo que lê-lo”.

Isso é típico do consumo moderno de informação.

“As pessoas formam uma opinião baseada em um resumo, ou uma legenda, sem esforçar-se em aprofundar as questões”.

Sem dúvida, esta passa a ser uma das características dos posts virais: a notícia é boa, mas não tão boa (ou crível) assim.

O problema é os veículos de comunicação, órgãos de defesa do consumidor e instâncias de governo pautarem-se por interesses que não interessam tanto assim.

O hábito pode facilmente levar estes atores sociais a uma visão míope das preferências populares.

Principalmente sobre agendas políticas.

Esta não é a primeira vez que a tendência de compartilhar sem ler foi identificada.

Em junho, o periódico científico The Science Post publicou um artigo cujo título reforça a descoberta: “Estudo: 70% dos usuários do Facebook só leem a primeira linha dos textos que comentam”.

No teste realizado, os poucos que clicaram em uma matéria encontraram um texto sem significado.

Apesar disso, o artigo testado foi compartilhado 46 mil vezes.

Enquanto os motivos pelos quais a maioria das pessoas compartilha notícias sem ler permanece inexplicado, o hábito parece perpetuar uma das características da cultura da internet.

Que tal fugir da superficialidade?

Sugiro uma navegação mais atenciosa pelas redes sociais.

Clique nos links compartilhados por amigos, mas busque ativar um diálogo sobre o assunto.

Certamente os dois lados se beneficiarão neste aprofundamento da conversa.

Imagem: Hadrian / Shutterstock.com

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